12 maio 2016
De amores que não sabem amar
Não dormi, preferi ficar te olhando. É que a constelação de pintas nas suas costas me encanta e a sua calma sempre me acalmou. Enquanto te olhava e as luzes da noite da cidade lá fora adentravam o flat, eu pensava em nós e no que de fato estamos fazendo.
Eu sei que pela manhã você vai acordar mais cedo do que eu pra cortar a cidade e ir ao trabalho, vai deixar o café pronto na cafeteira e me deixar um bilhete de bom dia. Eu guardo todos os bilhetes - todos os dias - ou pelo menos guardava. É que talvez eu nem o leia amanhã e quem sabe eu também não tome o café. É que essa sua forma de me iludir e me comprar com gestos baratos e corriqueiros não me encanta mais. Esses seus artifícios para se fazer presente quando a ausência é a única coisa que tenho de ti. É que a gente sabe, você sempre foi mais do mundo do que meu.
Parece que só somos um em quatro paredes, sem barulho de buzina, sem o trânsito, sem os esbarrões, sem as decisões no escritório, sem as festas de família, sem essa insanidade - necessária - que é a vida. Veja bem, nesse tempo - que eu julgo ser 1 ano e você a 1ª noite - você nunca me apresentou aos seus amigos. Me dê razão, as coisas não andam tão bem, ao menos pra mim.
Eu posso ter curtido isso por um tempo, esse jogo descompromissado de quem pouco quer quando na verdade quer demais, mas talvez eu não tenha mais idade pra isso. Talvez eu tenha entendido que intimidade é dividir a vida e não só o corpo. Eu não quero alguém que seja comigo na cama, nas conversas filosóficas pós-sexo, na mesa ou no bilhete de bom dia pela manhã. Eu quero alguém que sente comigo e me pergunte do dia. Quero alguém pra contar a grosseria que o motorista fez pela manhã, a música que ouvi na rádio, falar do trânsito que me atrasou. Quero chegar em casa cansada e não ser ouvida. Isso. Não ser ouvida. Porque a maior prova de amor (ou qualquer coisa assim) talvez seja aqueles olhos que pouco querem saber da história, mas permanecem ali. Quero alguém que conheça meus defeitos, que tenha todos os motivos para ir embora, mas decida ficar. Alguém que divida um mundo, onde ceder é um ato de amor e não a única coisa que se sabe sobre ele. Onde os sorrisos sejam maiores que as lágrimas e o desespero de não sermos até a 00:00h não exista. Eu quero o conforto das diferenças que se unem, não as que brigam a todo momento. Eu quero saúde! E que venha não só numa taça de vinho a dois. Quero saúde no brinde da vida. Uma vida que vá pela manhã, mas que no lugar do café pronto e do bilhete, deixe a alma compartilhada.
Eu não sei se você está me entendendo ou se tá achando tudo um percalço sem nó, mas eu resolvi te deixar, antes que eu me acostumasse a caminhar só. Foi por cansaço. Eu cansei de esperar pela próxima vez, cansei de racionalizar meus choros, meus desconfortos, me forçando acreditar que nunca mais aconteceria. Eu cansei de fingir pra mim mesma que isso daria certo e que o amor ultrapassa tudo. É que ao contrário dessa máxima falado em todos os filmes de romance, eu aprendi que nem todo amor sabe amar. A começar pelo meu.
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Crônicas e Contos
01 abril 2016
Minh'alma. Mais sua, do que minha.
Não sei se você notou o momento exato que minh’alma
encontrou a tua. Ela, danada que só, quis logo se misturar, dissolver-se em si
e em ti. Quis minh’alma, desnuda, se abrir e adentrar nessa brecha bandida onde
você se fez notar. Eu tentei aquietá-la, sussurrei para que não fizesse
barulho. Que fosse com calma, porque você, menina-moça, parecia não estar acostumada
com esbarrões assim. Que fazem as almas se misturarem, contemplarem, completarem.
E se, por ventura, eu
lhe dissesse que nem minh’alma é dessas? Você, em surto ou por súbito, ousaria
acreditar-me? Nas andaças que tivemos, eu muitas vezes a fiz se calar. Não
havia lugares seguros onde repousar e, minh’alma, mesmo que aventureira e gostando
tanto de conhecer outros lugares e sorrisos, se acanhava, ao entender que mais
uma vez não tinha achado seu lar.
Mas quando você chegou, morena, naquele 25 de março,
ensolarado, onde as ruas zuniam e os carros pareciam voar. Na turbulência
caótica da cidade, numa banca de jornal qualquer, eu não pude conter. Que mal
fiz, eu? Se minh’alma de gente grande quis morar em menina pequena, de calçado 36,
como o teu?
Minh'alma. Mais sua, do que minha.
Mentiria se não dissesse que pela minha cabeça passou os
pessimismos diários e sádicos que sempre ousam nos aprisionar – e rotular. E se
a casa não for boa? E se inquilino já tiver? Se a vizinhança for barulhenta
demais e a moça dos lábios bonitos simplesmente não me quiser? Mas minh’alma,
aventureira, derradeira, inconstante, irrepreensível, entusiasmada e tão
espontânea que nem parece vir de mim, sujeito pacato, que costuma olhar o mundo
pelos aros grossos dos óculos de ler. Ela, danada que só, se envolveu. Bateu na
porta, te chamou pra um, dois, três cafés e um show. E, mesmo sua alma com
tantas reservas e “me-disses”, não foi suficiente para a fazer parar.
Entenda, amor, nossas almas se encontraram antes mesmo de
nós. Elas se reconheceram, antes mesmos de darmos os nós. Elas foram, antes de
sermos. Ela se entreolharam antes de nos entre olharmos. Elas se uniram, e pra nós nem deram o direito de escolha.
15 dezembro 2015
Carta ao marinheiro
Então me diz se não foi assim: Comecei a te perder quando te quis. Éramos dois viajantes vindos de mundos tão distantes que por uns minutos resolveram ancorar. Foi quando começou o erro. Eu quis passar uma vida, você uns minutos, talvez um jantar. Eu que sempre gostei de voar, aterrissei. Eu que sempre gostei de navegar, ancorei. Nas idas e vindas dessa vida, te encontrei. Parei. Escutei. Acreditei. Que nessa ou noutra vida você seria meu lar. Lugar para amar, ser, estar. E você meio sem jeito vinha me falar que do seu lado eu não podia ficar. Com sorriso de canto, jeito maroto dizia que seu lance mesmo era viajar. Ei amor, engano seu, eu nunca quis te parar. É que nessa vida eu só buscava uma companhia, por que ir sozinho se eu posso ser seu par?
Mas você parecia não ouvir, vislumbrado só pensava em partir. Eu te entendo. Eu, navegante antiga, que esses mares da vida já cansei de desbravar e você, marinheiro novo, tinha acabado de zarpar. Você queria conhecer os mares, os ares, as estradas e ver onde isso tudo ia dar. Numa busca incansável do novo, da próxima estação e da próxima companhia para o jantar. Acho que no fundo sua busca era interna, a cada nova cidade, novo porto, novo aeroporto, conhecia mais um sorriso bobo, sem jeito se entregava sem ter hora para voltar. Cê queria era se encontrar, amor. Vê se nesse mundo ou em outro você conseguia um lugar.
Eu, navegante antiga, tentei te alertar que nessa busca você iria acabar voltando para o mesmo lugar. Mas você não quis me ouvir, disse que precisava sair. Que a rotina te sufocava e que a vida andava chata demais de se sentir. Eu, navegante antiga, sorri, acenei. No fundo entendi que você precisava se sentir, ver as ondas por aí, rodar o mundo pra poder voltar. Mas você não me entendeu, rapaz. Eu não quis te parar. Navegante antiga, só queria um par.
Nas andanças que tive por aí, descobri um vazio quando senti que estar em vários lugares não significa lar. Que a gente cabe num abraço e de nada vale a vida, o passaporte ou a ida se não tiver alguém para quem voltar, ou estar, quem sabe ficar, na vida ou no mar. Seja qual for o lugar, no ar, na terra, no que nos espera, no próximo voo ou no próximo zarpar.
Boa sorte, marinheiro. O mundo te espera, ir e voltar.
12 setembro 2015
BLOGAGEM COLETIVA: Sobre o seu toque e as borboletas
Ei, fala pra mim que isso tudo não é maluquice, que você também percebe as faíscas quando a gente se olha, me diz que você também sente o mundo mais lento quando eu encosto na tua mão. Me faz acreditar que não é só comigo e que você também morre de ansiedade pra me ver.
Posso tentar me enganar, negar até o fim, mas ultimamente você tá em todos os detalhes, em cada tom de azul do céu, porque você sempre repara nele. Ou que cada filme que eu assisto penso em te contar, ou até mesmo na forma que eu tento relembrar como era estranho o fato do mundo ficar mudo quando as nossas mãos se encontram. Mas não adianta mais mentir, todo mundo já viu que o meu sorriso está mais largo e que agora ele tem nome.
Senta um pouco. Fica aqui. A gente pode fazer daqui o nosso lugar secreto, não precisa acontecer nada, é só você ficar perto de mim, é só a gente mostrar um pro outro o que todo mundo já reparou.
Ah, eu prometo que as borboletas na parede sabem guardar segredo, mas garanto que elas sentirão ciúmes, porque o olhar, quando é pra você, é muito mais bonito. Mas espero que elas entendam que nem a asa mais colorida me arrepia mais do que saber que você vai estar no mesmo lugar que eu. E espero também que você entenda que eu já rotulei muito as coisas e que rótulo é só a forma de reconhecer algo, e, no meu caso, nunca vi nada assim em todos os meus verões. Espero muito que não tenha visto algo parecido nos seus verões também e entenda que essa plantinha que brotou contra a minha vontade é única, e irei cuidar pra nada tirar a sua beleza, que é de causar inveja em qualquer outra plantinha e que atrai as borboletas mais bonitas. Vem cá, e dá um significado novo pra cada música e me tira o sono pensando mais nas entrelinhas do que na frase, mais nos detalhes que no todo. E, por favor, continue nessa medida, ela não amarga e não enjoa, ela se resume em equilíbrio e ilumina os meus sonhos. Faz um tempo que eu não sinto isso tudo, e é preciso mais tempo para entender essa coisa que não tem nome, mas tem toda a pureza, leveza e simplicidade, como voar das borboletas, mas sem nunca ter tirado os pés do chão, ou as mãos da sua, e, por isso, merece todo o respeito do mundo. Então, tenha paciência, toda a paciência que as lagartas têm até virarem borboletas, e não vai não, fica um pouco mais, não precisa falar nada, é só ficar, fechar os olhos e sentir tudo isso também.
Fernanda Mourelle, 19 anos.
Quer ver seu texto aparecendo aqui no blog? É só mandar para o email: luana.luiza.galoni@gmail.com. Entraremos em contato com você.
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Blogagem Coletiva
08 setembro 2015
Faces e fases
Me seduziu até o momento em que você trocou a peça. Mudou os personagens, o figurino e seguiu um roteiro onde o papel de protagonista já estava ocupado: era seu. Talvez desde o princípio fosse assim, e eu me metia como coadjuvante achando que isso poderia ter alguma importância ou que a minha promoção não tardaria. Mas tudo sempre se resumiu a você.
Foi difícil desencarnar o papel. Foi difícil deixar os trejeitos de cada pessoa que vivia aqui. E foi só quando me vi livre das muitas faces que, enfim, me vi livre de você e pude me perceber. Você ocupava um lugar tão grande em mim que eu quase tive que me forçar a acreditar que existia um "eu" além de você e que no fundo ainda poderia haver algum espaço onde você não tinha invadido.
Não te culpo por isso, na verdade, culpo sim. Isso tudo me levou a 3 panelas de brigadeiro por semana mais a conta do analista. Mas o que eu quero dizer é que não foi só você que me machucou, eu fiz isso comigo mesma. De insegura pensei em me preencher com alguém, depositei minha felicidade sobre as suas costas e isso foi a coisa mais egoísta que pude fazer. Você pode chamar de carência, imaturidade ou qualquer coisa assim, eu quis me achar me procurando em outro alguém e, veja só, não foi bem isso que encontrei. Tentei achar atalhos quando o único caminho que eu precisava trilhar era o meu, e só.
Eu resolvi escrever tudo isso quando meu whats apitou. Era uma mensagem sua dizendo que ainda me amava. E seja lá o que você quis dizer com a mensagem eu quero te dizer que nunca foi amor. Pode ter sido dependência, paixão ou um desejo masoquista, mas amor... Ah, meu bem isso nunca foi. O amor é imune de obrigação, de ciúmes, de reservas. O amor não te exige nada em troca, ele só ama. Pelo que se é e não pelo que se deveria ser. Ele não é dependente, ele coopera. Não há amor de duas partes, o amor vive num par de inteiros. E eu quero te agradecer por ter me tirado de cena e ter seguido a peça sem mim. Espero que um dia você se encontre e não precise mais do palco. Eu to bem, não tenho mais tempo de atuar, para ninguém e por ninguém. Estou muito ocupada sendo eu mesma.
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Crônicas e Contos
11 junho 2015
Dos nós que demos, dos nós que somos
Tô aqui te olhando dormir e pensando na sorte que tenho em te ter e em como eu quero uma filha com a sua boca e com a marca de nascença que você tem nas costas. Essa com formato de coração.
Nunca pensei que chegaríamos nesse momento, na verdade, eu nunca pensei na gente na primeira pessoa do plural. Ou quem sabe pensei, mas minha mente pessimista insistia em bloquear qualquer pensamento que me levasse até você. Mas você nunca foi assim, né amor? Sempre com os pés no chão e a cabeça na lua, encontrando seu equilíbrio e acreditando em nós, desde sempre. Desde quando eu só usava os pronomes "eu" e "tu" separados. Ou os conjugava junto com outras pessoas, que não nós.
Você teve coragem, coragem de arriscar tudo, largar o seu mundo pra construir um só nosso. Você teve coragem em acreditar no amor. E isso é tão difícil hoje em dia, tão raro. As pessoas estão tão aprisionadas em seus egos e suas frustrações que o "pra sempre" virou démodé, reacionário.
Você me amou, amor. Quando eu menos merecia, mas quando eu mais precisava. Sutil, você chegou. E me arrastou. Me embolou, embalou, me acorrentou. E quando eu menos percebi estava aqui, nós. Nos dois sentidos da palavra. Eu te sou eternamente grata, pela coragem. Por ter me desbravado, por conhecer toda minha luz e amar até mesmo minha obscuridade. Por ser meu espelho e refletir em mim o melhor que posso ser.
Você sempre disse que eu era sua exceção, mas na verdade, você que é a minha. E não foi como questão múltipla escolha, foi questão dissertativa. Eu só tinha você e não conseguia parar de falar.
Agora eu fico aqui, feito boba, te olhando, desejando, pensando na sorte que eu tive. Que bom que você acreditou, que bom que você me arrastou, que bom que você amou. Porque agora eu acredito, agora eu vou junto, agora eu amo. Da forma mais pura e sincera que isso possa ser.
06 maio 2015
Se eu não tivesse te deixado ir
Eu sei que isso
é egoísta, fui eu quem quis ir, eu quis te soltar. Eu nem sei se o verbo “querer”
está bem colocado, afinal, o que eu queria mesmo era ter você, um cachorro e
uma vida inteira. Talvez “eu-não-fazia-ideia-do-que-estávamos-fazendo”, se é
que isso pode ser considerado um verbo, se encaixaria melhor.
Eu me rendi
as rotas da minha mente pessimista e jurei que não conseguiríamos nem passar da
próxima esquina. Mesmo com você me chamando, mesmo com você me segurando. Não foi falta de confiança em
você, foi falta de confiança em mim. E agora eu fico aqui, imaginando como
seria. Como seria acordar ao seu lado, como seria dividir as contas do mês...Ah
que falta eu sinto de nós, dos nossos laços, das danças no meio da sala, de
morar no seu abraço. Quem sabe a gente construía um mundo nosso onde as nossas
diferenças não fossem tão gritantes? Quem sabe, a gente ligava o “foda-se” e
fugia pra qualquer lugar, pro Havaí ou pro seu quarto? Mas eu não quis pagar
pra ver, eu sou pé no chão demais pra voar com você. Você tinha asas e eu fazia
questão de podar as minhas todos os dias.
Queria te
encontrar. Em qualquer lugar por aí, só pra esbarrar, pra te encarar. Pra quem
sabe ver no seu olhar um motivo pra ficar, me entregar, voar.
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Crônicas e Contos
24 abril 2015
Nós nunca existimos
A cada hora que eu passo trancada dentro do quarto, imagino com quantas você já foi pra cama. A cada lágrima que cai do meu rosto fazendo uma pequena poça ridícula no travesseiro, eu sinto raiva. Não raiva de você, isso não é novo pra mim. É uma raiva estampada de inveja por você conseguir fingir que nada aconteceu. Não que eu fosse transar com meio-mundo, eu e você sabemos que isso não ia rolar, mas eu só queria ter essa mesma cara de pau de fingir que nós não acontecemos. Isso seria ótimo! Isso seria melhor do que estar no terceiro pote de nutella.
Eu sei que é meio demodé essa coisa de sofrer por amor e disso ser culturalmente atribuído ao gênero feminino, mas eu não quero culpar a sociedade ou os meus pais por me fazerem acreditar em um príncipe ou por eu estar aqui há 12 horas quase tendo uma overdose de nutella. Fico pensando como seria o caso clínico e o que o médico falaria quando eu chegasse ao hospital. "Overdose" de que? "De amor."
É isso, eu te amo demais pra te deixar. Eu sei que tem aquela história bonita de que quando a gente ama a gente deixa ir, e o que é nosso volta, bla, bla, bla. Fico pensando quantas vezes Bob Marley foi chifrado pra escrever isso, coitado, eu também desistiria se fosse ele. Mas como eu não sou, tô aqui ferrada, tentando imaginar o que eu faço com tudo que sobrou. Fico pensando nas lembranças que insistem em me invadir, sem pedir licença e por pura sacanagem só me trazem as coisas boas. Ele era idiota pra cacete! Vai, garota, lembra disso. Lembra que ele nunca era ele com você, que na frente dos amigos ele parecia caçoar de todas as coisas que você dizia, como se você fosse a menina ingênua que não tem experiência da vida. Lembra que você era sempre segunda opção diante do ego dele, lembra que, que... Que aquele corte de cabelo era ridículo, que aquele sorriso era lindo, mas não era seu, nunca foi. Pronto, lembrei dos defeitos, ou só daqueles que minha mente me permitiu lembrar, e aí? E agora? Ainda dói. Não valeu de nada.
Nós dois sabíamos que o término seria inevitável, a gente discutia sempre e quando não, eu sempre tinha que ceder e engolir meu orgulho. Sempre eu. E olha, eu nem sei por que a gente insistiu, talvez porque eu gostasse da sua família, apesar de você ser um filho da mãe, a sua mãe é a melhor pessoa que eu já conheci na vida. Ou porque você achava que me amava, eu digo achava porque ninguém sente uma coisa e faz outra e você fazia tudo, meu bem, menos demonstrar amor.
Com o tempo eu vou me conformar, vai passar. E essa é a minha única certeza agora. Mas eu queria te perguntar como é que você faz pra fingir que a gente não se conheceu? Fingir que não foi nada. Como é que você consegue passar pela sorveteria da esquina, pedir flocos com cobertura de hortelã e não lembrar de mim e de que eu te ensinei a gostar desse sabor? Lembra que foi eu que te ensinei o sabor de muitas coisas, quem sabe até da vida? Será que ao beijar outra você não lembra de como nosso beijo se encaixava perfeitamente? Me fala, por favor, me fala! O que você fez com a aliança? Ou melhor, como você se desfez dela? Numa daquelas cenas dramáticas ao mar? Simplesmente jogou no lixo? Ou quem sabe ainda usa por aí? A minha tá aqui, na cabeceira, me encarando, me encarando com todas as promessas que com ela foram feitas. Meu bem, por favor, me diz como você faz pra fingir que a gente não existiu? Talvez seja isso. Nós nunca existimos, fui eu, eu que nos inventei.
Eu sei que é meio demodé essa coisa de sofrer por amor e disso ser culturalmente atribuído ao gênero feminino, mas eu não quero culpar a sociedade ou os meus pais por me fazerem acreditar em um príncipe ou por eu estar aqui há 12 horas quase tendo uma overdose de nutella. Fico pensando como seria o caso clínico e o que o médico falaria quando eu chegasse ao hospital. "Overdose" de que? "De amor."
É isso, eu te amo demais pra te deixar. Eu sei que tem aquela história bonita de que quando a gente ama a gente deixa ir, e o que é nosso volta, bla, bla, bla. Fico pensando quantas vezes Bob Marley foi chifrado pra escrever isso, coitado, eu também desistiria se fosse ele. Mas como eu não sou, tô aqui ferrada, tentando imaginar o que eu faço com tudo que sobrou. Fico pensando nas lembranças que insistem em me invadir, sem pedir licença e por pura sacanagem só me trazem as coisas boas. Ele era idiota pra cacete! Vai, garota, lembra disso. Lembra que ele nunca era ele com você, que na frente dos amigos ele parecia caçoar de todas as coisas que você dizia, como se você fosse a menina ingênua que não tem experiência da vida. Lembra que você era sempre segunda opção diante do ego dele, lembra que, que... Que aquele corte de cabelo era ridículo, que aquele sorriso era lindo, mas não era seu, nunca foi. Pronto, lembrei dos defeitos, ou só daqueles que minha mente me permitiu lembrar, e aí? E agora? Ainda dói. Não valeu de nada.
Nós dois sabíamos que o término seria inevitável, a gente discutia sempre e quando não, eu sempre tinha que ceder e engolir meu orgulho. Sempre eu. E olha, eu nem sei por que a gente insistiu, talvez porque eu gostasse da sua família, apesar de você ser um filho da mãe, a sua mãe é a melhor pessoa que eu já conheci na vida. Ou porque você achava que me amava, eu digo achava porque ninguém sente uma coisa e faz outra e você fazia tudo, meu bem, menos demonstrar amor.
Com o tempo eu vou me conformar, vai passar. E essa é a minha única certeza agora. Mas eu queria te perguntar como é que você faz pra fingir que a gente não se conheceu? Fingir que não foi nada. Como é que você consegue passar pela sorveteria da esquina, pedir flocos com cobertura de hortelã e não lembrar de mim e de que eu te ensinei a gostar desse sabor? Lembra que foi eu que te ensinei o sabor de muitas coisas, quem sabe até da vida? Será que ao beijar outra você não lembra de como nosso beijo se encaixava perfeitamente? Me fala, por favor, me fala! O que você fez com a aliança? Ou melhor, como você se desfez dela? Numa daquelas cenas dramáticas ao mar? Simplesmente jogou no lixo? Ou quem sabe ainda usa por aí? A minha tá aqui, na cabeceira, me encarando, me encarando com todas as promessas que com ela foram feitas. Meu bem, por favor, me diz como você faz pra fingir que a gente não existiu? Talvez seja isso. Nós nunca existimos, fui eu, eu que nos inventei.
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Crônicas e Contos
19 abril 2015
Resenha - Garota Exemplar
9- Um livro escrito por uma autora (√) #ReadingChallenge2015
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| Autora: Gillian Flynn | Editora: Intrínseca | Páginas: 448 | Ano: 2014 | Gênero: Suspense | Saiba mais: Skoob |
Cíumes. Possessividade. Vingança. O quão longe você iria
para chamar a atenção de quem ama? Em Garota Exemplar, os personagens revezam
os papéis de vilão e mocinho diversas vezes. Amy morreu? Se sim, quem a matou?
Quem está certo? Quem está errado? Essas questões vão fazer você querer ler até o final para descobrir. Mas apesar dessas perguntas serem muito importantes para
motivar a leitura, a história vai um pouco mais além.
Nick Dunne é um jornalista desempregado, com um pai misógino
que passara a vida toda xingando toda mulher que encontrasse, inclusive sua
própria esposa e filha. Amy é uma jornalista filha de psicólogos ricos que, no
passado, escreveram uma série de livros chamada Amy Exemplar. No livro, sua
filha passava por situações normais de uma criança, mas sempre fazendo as
escolhas mais sábias.
Um dia, o casal perde o emprego, então Nick decide pedir
emprestado o dinheiro de sua esposa rica para sair de Nova York e voltar para
sua cidade natal, aonde tenta segurar a barra ao construir um bar com sua irmã
gêmea. E então, Amy desaparece. Há indícios de sequestro na cena do crime, e o
principal culpado passa a ser o marido. O bar financiado pela esposa, o pai que
fora um péssimo exemplo a ser seguido e sua natural antipatia são, para a
polícia, indicações de que havia algo suspeito nele.
Mas o ponto chave da investigação em torno de Nick é o
diário de Amy, no qual ela escrevera sobre seu casamento durante vários anos
seguidos. Nele, algumas pequenas cenas suspeitas apareciam, e o fato de que a
relação não andava muito bem havia alguns meses. Mesmo que ela tentasse ser
carinhosa, ele se afastava e parecia não corresponder o amor à altura.
Os personagens são tão bem construídos que fazem você sentir
ódio, pena e algumas vezes um pouco de confusão, por não saber exatamente como
reagir. Em alguns capítulos, você vai querer aplaudir de pé a inteligência de
alguns personagens, e também poderá se indignar diante da (falta de) reação de
Nick. A todo momento a trama te envolve; seja por esses motivos, seja pelas
perguntas, seja pelas reviravoltas e, é claro, o suspense.
Se recomendo? Com certeza!
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17 abril 2015
Reading Challenge 2015
Olá, pessoal! Me chamo Rafaela e sou a nova integrante do
blog, e vou começar meu primeiro post com uma proposta. Já ouviram falar no
Reading Challenge 2015? Se uma das suas promessas de fim de ano foi ler mais
livros em 2015, talvez esse desafio te dê um estímulo a mais para começar.
Esse desafio foi publicado no site Goodreads no começo do
ano e muitos decidiram cumprir esses objetivos, para se manter motivado e
diversificar a cultura literária. Desse jeito, deixamos pra trás alguns
preconceitos e damos uma chance para leituras que podem nos surpreender. Um
livro que te assusta. Um livro que te faça chorar. Um livro escolhido apenas
pela capa. Parece fácil, né? Agora imagine outras 49 etapas semelhantes para
cumprir em um ano!
O verdadeiro objetivo é variar os gêneros que você costuma
ler, e sair um pouquinho da zona de conforto. Então, não prometo que eu consiga
ler todos os 52 livros, mas acredito que vai ser bem divertido; por isso vou
tentar. A cada livro lido, terá uma resenha para que vocês possam acompanhar essa trajetória. ;)
E aí, quem aceita o desafio?
#CHALLENGEACCEPTED
Geminiana, indecisa por natureza, aspirante a jornalista e leitora por paixão. Ama gatos, chocolate e coisas vintage. Sonha em um dia viajar pelo mundo e conhecer diferentes culturas. Enquanto o dinheiro não deixa, viaja através das páginas.08 março 2015
Escolhi partir. Sem contrarregra. Sem tape.
Eu, por exemplo, escolhi partir. Você vai me chamar de covarde e talvez eu seja, desperdicei a chance mais próxima de ser feliz que já tive. Mas se é que posso dizer algo em minha defesa, fica difícil ter coragem sem os olhos azuis da Cameron. Acontece que eu não me arrependi logo em seguida ( talvez um pouco, tá bom, bastante), desci do táxi, voltei correndo e me joguei nos braços dele enquanto ele me suspendia no ar e me beijava docemente. Não pense isso, por favor, nem Nicholas Sparks seria tão previsível. Olha, eu nem tava de táxi. Na verdade eu estava a pé, estava chuvendo e eu tinha acabado de comprar um pão doce. Viu só? Nada romântico ou digno de Oscar. Eu escolhi partir na padaria, e não era aquelas super docerias americanas ou o Central Perk, era dessas comuns mesmo que o dono tá ali desde que você nasceu e que com R$1,00 você compra só 4 pães massentos.
Eu escolhi partir quando me deparei num sábado à noite de chinelo e moleton indo comprar pão doce e você não estava lá pra fazer a piada sem graça com o sonho, mas que eu sempre rio. Eu escolhi partir quando entendi que sua vida seguia um ritmo diferente da minha e que por vezes você se negava por mim. Você nunca me disse isso, mas também nem precisava. No começo você se saiu bem, juro que não percebia que aquilo tudo era um fardo, mas com o tempo eu passei a ver nos seus olhos toda vez que eu não podia estar presente em algum momento importante, quando eu não conseguia me enturmar com seus amigos (e olha, eu me esforçava), quando você deixava de viver pra viver a minha vida. Essa coisa de se anular não tava dando certo e foi naquela padaria quando eu peguei o troco que percebi que não podia fazer isso com você e não podia te deixar fazer isso consigo mesmo.
Você podia dizer o que fosse, mas nem precisava te encontrar na fila do pão pra saber que você tinha me encontrado e tava infeliz pra cacete. Você sumia tanto de si que eu quase tinha que me esforçar pra te encontrar. Talvez você não entenda agora e talvez nem daqui a 3 meses. Mas é que por sorte a gente se encontrou, o azar foi não ter sido no mesmo espaço-tempo.
E agora? Eu tô sofrendo feito mula. Eu tô chorando todo dia, eu lembro o tempo inteiro. Você fez o imenso favor de estampar seu rosto, seu perfume e sua risada nos meus hemisférios cerebrais. Mas ao contrário dos filmes românticos eu não posso ficar uma semana trancada no quarto chorando, abraçando sua camisa e cantando "Say something". Eu tenho que viver, não é verdade? E não é a história de superação bonita que a menina dá a volta por cima, ainda vai demorar muito pra isso acontecer. Prevejo várias recaídas, e quem sabe numa dessas você me segura e não me deixa ir.
Eu termino aqui, sem adornamento com clichês porque na vida real não tem promessas, não tem juras, na vida real, não tem pausa pra refazer a cena, nem contrarregra pra ajudar. Na vida real a gente tem que viver. E é isso que eu vou ter que fazer, viver sem você, desejando ardentemente que a nossa história fosse escrita pelo Sparks e que no final você aparecesse batendo na minha porta e dizendo o quanto eu fui burra. Mas não vai acontecer, não é mesmo? Não vai acontecer.
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Crônicas e Contos
20 janeiro 2015
Mesmo se nada der certo
Sobre o voto, bem, quero dizer, só pra tranquilizar seu pai, que vai dar certo. Que eu vou te cuidar, te amar, respeitar e tudo aquilo que o padre me pedir pra repetir. Mas hoje não é disso que eu vou falar. Falo-te hoje da contraponta, das desventuras, dos nós difíceis de desatar. Mesmo se nada der certo, amor, eu vou ficar. Ainda que tudo desmorone, que as certezas virem interrogações, eu já escolhi ficar. Fico, porque não teria para onde ir, e conjugo esse verbo em todos os tempos, pra você entender que nosso estado é de passado, presente e futuro. Eu fico, eu já fiquei. Afinal, como posso eu vagar se meu lugar sempre será aqui? No teu peito, ao teu lado. Mesmo se nada der certo e você gritar, se trancar no banheiro pra chorar ou bater a porta na minha cara, eu vou ficar. A vida a dois desgasta, machuca de forma recíproca, por vezes, sufoca. Mas eu te escolhi, entende? Dentre todas, dentre muitas, dentre o mundo, eu quis ficar aqui.
Peço-te hoje perdão futuro. Por qualquer coisa que sem intenção ou mal intencionado eu venha falar. Peço-te perdão pelas lágrimas que vou deixar cair, e eu sei que elas vão cair. Perdão pelas vezes que cansado posso não te perceber, perdão pela rotina e pela toalha que eu sempre vou deixar na cama.
Não quero que penses que esse é um discurso pessimista, vai dar certo. Mas mesmo se nada der certo, a gente volta, refaz o caminho, trilha a direção que nos leve um para o outro. A gente se reinventa, reconstrói nosso mundo e se preciso for, foge desse aqui.
Mesmo se nada der certo, eu escolhi, escolho e sempre vou escolher te amar. Em todos os tempos verbais, como o combinado. Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até depois do fim.
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Crônicas e Contos
07 janeiro 2015
Lost
Acordei e não te senti, nem do lado esquerdo da cama
nem do lado esquerdo do peito. Procurei-te, olhei em todas as direções, quis te
achar no armário, embaixo da cama e nas roupas que não te pertenciam mas que ficaram
pelo carpete ontem à noite.
Sentei. Na tentativa de organizar os pensamentos,
reavivar mapas cerebrais e recordar onde eu havia te deixado. Por Deus... Será
que eu havia esquecido de te levar?
Refiz meus passos e tentei relembrar o último lugar
onde eu havia te visto, fiz juras a São Longinho e até tentei me perguntar em
que lugar eu me esconderia se fosse você. Foi nesse momento, e apenas nesse
momento, que pude perceber que se eu fosse você estaria em qualquer lugar,
menos aqui.
Olha, meu bem, de repente as coisas começaram a ficar sem sentido e eu fiquei confuso, me perdoa. Me perdoa porque eu não consegui segurar. Me perdoa por ter te deixado remar sozinha, quando eu deveria ter sido seu par. Eu tinha uma sensação de estranheza que nem ao menos sei denominar, coisa da minha cabeça, quisera fosse.
Eu te olhava e achava que não era onde eu deveria estar, eu te via sem te enxergar, eu te amava, mas parecia não poder continuar. Pensei ser crise e resolvi não pensar, mas perdurou por meses a fio e eu não conseguia mais te ver se trancando no banheiro pra chorar.
Foi então que eu te troquei pelo mundo e não percebi que sem você ele seria apenas mais um lugar. Eu deixei meu lar. O lar que fiz em seus braços, aconchegante, meu. Eu desfiz os nós que demos e acabei por me enrolar no meu ego. Talvez essa sensação nostálgica dure até a próxima batida na porta ou até o próximo corpo nessa cama, que não será o seu. E talvez, enquanto isso, eu arque com as consequências disso que criei, e siga, mesmo que a estrada não me leve a você.
Olha, meu bem, de repente as coisas começaram a ficar sem sentido e eu fiquei confuso, me perdoa. Me perdoa porque eu não consegui segurar. Me perdoa por ter te deixado remar sozinha, quando eu deveria ter sido seu par. Eu tinha uma sensação de estranheza que nem ao menos sei denominar, coisa da minha cabeça, quisera fosse.
Eu te olhava e achava que não era onde eu deveria estar, eu te via sem te enxergar, eu te amava, mas parecia não poder continuar. Pensei ser crise e resolvi não pensar, mas perdurou por meses a fio e eu não conseguia mais te ver se trancando no banheiro pra chorar.
Foi então que eu te troquei pelo mundo e não percebi que sem você ele seria apenas mais um lugar. Eu deixei meu lar. O lar que fiz em seus braços, aconchegante, meu. Eu desfiz os nós que demos e acabei por me enrolar no meu ego. Talvez essa sensação nostálgica dure até a próxima batida na porta ou até o próximo corpo nessa cama, que não será o seu. E talvez, enquanto isso, eu arque com as consequências disso que criei, e siga, mesmo que a estrada não me leve a você.
Eu te perdi e nem sei por onde começar a procurar,
quem sabe eu te ache quando eu me achar. É que me escondi, embarquei numa
realidade tão distante de mim que fui me desintegrando em partes,
em vendas fracionadas de mim mesmo. Me desfiz em pedaços tão intrínsecos que
além de me perder, te perdi. Agora estou aqui, num mundo que não me pertence;
assumo, mundo bonito, encantador, mas não é meu. Quem foi que disse que se
perder também é caminho? Ah, quisera Deus que você estivesse aqui pra me
desafogar de mim e me tirar dessa fantasia que criei meio a ilusões compráveis
e descartáveis. Quisera Deus que você voltasse, voltasse pra mim e me devolvesse,
me devolvesse pra mim. E olha, se ,por súbito, você se lembrar, deixe-me migalhas, amor. Migalhas para eu voltar.
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Crônicas e Contos
02 novembro 2014
Eu estava bem sem você. Ou não tão bem assim.
"Eu estava bem sem você". Dizia para mim mesma enquanto tentava olhar pela vidraça do ônibus ou me distrair com qualquer conversa aleatória de algum passageiro. Eu tentava, inutilmente, porque parecia que todas as coisas me faziam lembrar, desde as conversas sobre política entre o cobrador e um passageiro que acabara de ler uma notícia no jornal até a barba do cara do banco da frente. Mas olha, eu realmente deveria estar bem sem você. Não sei se melhor, não me arrisquei em mensurar isso. Mas é que antes eu estava segura, eu só precisava depender de mim, minha mente girava em torno de coisas que eu podia facilmente controlar, ou ao menos tentar. Acontece que com você é diferente, não tem como te controlar nem exercer qualquer poder de persuasão. Esse lance de coerção feminina, realmente não se aplica ao seu ego. Veja só, eu não consigo nem me controlar quando estou contigo, não tem como reter esse sentimento inundante que vem à tona toda vez que você sorri, aliás, que sorriso! Eu juro que de todos os sorrisos que eu já vi na vida, o seu continua sendo o meu preferido.
Uns meses antes de esbarrar com você por aí, eu me preocupava com as provas da faculdade, em não perder a hora para o trabalho, com as contas do cartão de crédito, o feijão que eu deixei fora da geladeira e em levar o cachorro ao veterinário. Agora eu me pego pensando quando você vai ligar, se por acaso nessa sua rotina doida você tira um tempo pra pensar em mim, se você leu minha mensagem no whatsapp, se vai querer me ver no próximo fim de semana...Antes eu sabia o tempo exato de deixar o lasanha no microondas, agora eu sempre esqueço porque me pego debruçada sobre a bancada rindo de algum vídeo idiota que você me mandou. Por Deus! Antes eu só lia os textos xerocados da faculdade e dia desses olhei para a cômoda e vi um volume imenso de "O mundo de Sofia". Olha bem, você tá entendendo meu espanto? Eu levantava da cama num salto e colocava a primeira roupa, aquele suéter capenga do dia que a gente se conheceu. Coringa, sempre meu. Agora até blush eu ando passando. Há uns meses nesse mesmo episódio, de um ônibus circular que vai dar a volta ao mundo antes de me levar ao trabalho, eu estaria ouvindo Guns no Ipod ou qualquer porcaria no rádio do celular, eu estaria até puxando assunto com a pessoa do banco ao lado. Mas agora eu tô aqui, pensando em você.
Meu bem, não foi a lasanha queimada, não foi o blush caro ou o livro de 560 páginas, foi o movimento. Você chegou e me tirou do eixo, tirou tudo do lugar, me bagunçou e nessa confusão eu nem sei onde deixei as chaves de mim mesma. Entende que eu tava acostumada com o habitual, com o cômodo, com mundo que eu criei só pra mim. Você simplesmente chegou e desmistificou todos os rituais mágicos que eu criei para me esconder, todas as armaduras que coloquei sobre mim pra não ter que me abrir mais com ninguém. Para não ter que me machucar mais com ninguém. Sabe qual foi o problema, meu bem? Ou quem sabe, a solução? Você chegou e me mostrou o amor. Você mostrou para esse coração machucado que tinha jeito pra ele. Você tirou os remendos e jurou ser o remédio. Você tirou meus pontos finais e acrescentou umas vírgulas pra eu poder olhar pra você, escrever sobre você, amar você.
Meu ponto. 2 horas de viagem e eu nem sei mais se estava tão bem assim sem você. Não sei se essa era uma certeza real ou algo que eu quis acreditar. Eu só sei que você chegou e me virou do avesso, e olha, agora eu tô torcendo para que o avesso seja meu lado certo.
Uns meses antes de esbarrar com você por aí, eu me preocupava com as provas da faculdade, em não perder a hora para o trabalho, com as contas do cartão de crédito, o feijão que eu deixei fora da geladeira e em levar o cachorro ao veterinário. Agora eu me pego pensando quando você vai ligar, se por acaso nessa sua rotina doida você tira um tempo pra pensar em mim, se você leu minha mensagem no whatsapp, se vai querer me ver no próximo fim de semana...Antes eu sabia o tempo exato de deixar o lasanha no microondas, agora eu sempre esqueço porque me pego debruçada sobre a bancada rindo de algum vídeo idiota que você me mandou. Por Deus! Antes eu só lia os textos xerocados da faculdade e dia desses olhei para a cômoda e vi um volume imenso de "O mundo de Sofia". Olha bem, você tá entendendo meu espanto? Eu levantava da cama num salto e colocava a primeira roupa, aquele suéter capenga do dia que a gente se conheceu. Coringa, sempre meu. Agora até blush eu ando passando. Há uns meses nesse mesmo episódio, de um ônibus circular que vai dar a volta ao mundo antes de me levar ao trabalho, eu estaria ouvindo Guns no Ipod ou qualquer porcaria no rádio do celular, eu estaria até puxando assunto com a pessoa do banco ao lado. Mas agora eu tô aqui, pensando em você.
Meu bem, não foi a lasanha queimada, não foi o blush caro ou o livro de 560 páginas, foi o movimento. Você chegou e me tirou do eixo, tirou tudo do lugar, me bagunçou e nessa confusão eu nem sei onde deixei as chaves de mim mesma. Entende que eu tava acostumada com o habitual, com o cômodo, com mundo que eu criei só pra mim. Você simplesmente chegou e desmistificou todos os rituais mágicos que eu criei para me esconder, todas as armaduras que coloquei sobre mim pra não ter que me abrir mais com ninguém. Para não ter que me machucar mais com ninguém. Sabe qual foi o problema, meu bem? Ou quem sabe, a solução? Você chegou e me mostrou o amor. Você mostrou para esse coração machucado que tinha jeito pra ele. Você tirou os remendos e jurou ser o remédio. Você tirou meus pontos finais e acrescentou umas vírgulas pra eu poder olhar pra você, escrever sobre você, amar você.
Meu ponto. 2 horas de viagem e eu nem sei mais se estava tão bem assim sem você. Não sei se essa era uma certeza real ou algo que eu quis acreditar. Eu só sei que você chegou e me virou do avesso, e olha, agora eu tô torcendo para que o avesso seja meu lado certo.
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Crônicas e Contos
25 outubro 2014
Do amor que eu não soube dar
Oi. Será que posso entrar? Quem sabe me acomodar um pouco? Nem precisa mudar as coisas do lugar. Será que tem espaço pra mim no seu novo mundo ou no seu novo flat? Tudo bem, não precisa responder, talvez eu esteja indo rápido demais, ou não, quem sabe. É que depois que você foi embora eu perdi um pouco a noção de espaço e tempo, e posso jurar que esse foi o dezembro mais longo que já vivi. Ah, o cachorro sente sua falta. Depois que o sol se põe ele corre em direção à porta, na esperança de ver você entrar. Eu também. O pernil esse ano não estava tão ruim, parece que minha mãe acertou dessa vez. Ela perguntou por você, sabia? Todos perguntaram. Eu disse que estava bem, sem nem imaginar por onde você andava. No dia 25 acordei me arrumando para ir a casa dos seus pais, mas quando punha as meias me dei conta de que não precisava mais viajar tantos quilômetros para compensar a véspera que a filha única não passou com eles. Não precisava, embora eu quisesse. Dessa vez para compensar a véspera que ela não passou comigo.
E eu entendi a resposta que você me deu quando perguntei o por quê você estava indo. "Você sabe". E olha amor, agora eu sei. Eu sei que não te deixei viver, sei que te fiz dependente de mim sem você querer. Te fiz refém das minhas escolhas, sem ao menos te perguntar o que você achava. Eu te levei, te carreguei sem perguntar se você olhava na mesma direção. Eu nunca perguntava, não é mesmo? Eu tinha tantas verdades, que acabei me afundando nelas. Eu sei também que eu era rude, exigente. Eu nunca tive filtros pra você, talvez o excesso de intimidade tenha corrompido minha empatia. E eu achava que você não se importava com as broncas, com as repreensões, eu fui burro, muito burro. Você não precisava de um pai, precisava de um amor. E eu aposto que hoje você deve estar deixando aquela louça do jantar pra amanhã, com preguiça e sem remorso. Aposto também que anda esbarrando nas coisas do seu jeito estabanada, murmurando por isso, mas aliviada por eu não estar lá pra te condenar.
Eu não reparava no seu rosto de ciúmes e nos seus olhos marejados quando eu tecia elogios para uma outra garota. Ah, quem dera fosse daqueles ciúmes bestas que toda mulher acaba tendo por insegurança ou "faro feminino", mas era um ciúmes com inveja. Porque eu tecia elogios ao mundo, menos a você. A você críticas, e ao mundo amor. Você era forte afinal, eu pensava. Você já sabia tudo que eu achava sobre você, eu acreditava. Mas você não precisava de alguém que medisse sua força e muito menos de alguém cujas palavras outrora ditas parecessem vazias e ocas frente as atitudes do presente. Você precisava de um amor, um amor que eu não soube ser nem soube dar.
Eu vim aqui hoje porque faltam poucos dias para o ano novo e eu não consigo nem imaginar como vai ser sem você. E vim de vermelho, que é pra dar sorte. Vim te pedir perdão, vim prometer não esperar ouvir novamente um "Você sabe", ver a porta bater, sentir sua falta no chuveiro e no lado vazio da cama, pra prestar atenção. Vim te convidar pra virar o ano comigo, na praia, no club ou no sofá. Pra fazer rituais idiotas e brindar com um champagne que a gente nem gosta de tomar. Vim te convidar pra tentar, de novo, e se errar, mais uma vez. Até que se esgotem as viradas. Eu vim aqui, pra te dizer que quebrando as correntes por aí, nesse ano novo eu não quero nada de novo, eu só quero você.
E eu entendi a resposta que você me deu quando perguntei o por quê você estava indo. "Você sabe". E olha amor, agora eu sei. Eu sei que não te deixei viver, sei que te fiz dependente de mim sem você querer. Te fiz refém das minhas escolhas, sem ao menos te perguntar o que você achava. Eu te levei, te carreguei sem perguntar se você olhava na mesma direção. Eu nunca perguntava, não é mesmo? Eu tinha tantas verdades, que acabei me afundando nelas. Eu sei também que eu era rude, exigente. Eu nunca tive filtros pra você, talvez o excesso de intimidade tenha corrompido minha empatia. E eu achava que você não se importava com as broncas, com as repreensões, eu fui burro, muito burro. Você não precisava de um pai, precisava de um amor. E eu aposto que hoje você deve estar deixando aquela louça do jantar pra amanhã, com preguiça e sem remorso. Aposto também que anda esbarrando nas coisas do seu jeito estabanada, murmurando por isso, mas aliviada por eu não estar lá pra te condenar.
Eu não reparava no seu rosto de ciúmes e nos seus olhos marejados quando eu tecia elogios para uma outra garota. Ah, quem dera fosse daqueles ciúmes bestas que toda mulher acaba tendo por insegurança ou "faro feminino", mas era um ciúmes com inveja. Porque eu tecia elogios ao mundo, menos a você. A você críticas, e ao mundo amor. Você era forte afinal, eu pensava. Você já sabia tudo que eu achava sobre você, eu acreditava. Mas você não precisava de alguém que medisse sua força e muito menos de alguém cujas palavras outrora ditas parecessem vazias e ocas frente as atitudes do presente. Você precisava de um amor, um amor que eu não soube ser nem soube dar.
Eu vim aqui hoje porque faltam poucos dias para o ano novo e eu não consigo nem imaginar como vai ser sem você. E vim de vermelho, que é pra dar sorte. Vim te pedir perdão, vim prometer não esperar ouvir novamente um "Você sabe", ver a porta bater, sentir sua falta no chuveiro e no lado vazio da cama, pra prestar atenção. Vim te convidar pra virar o ano comigo, na praia, no club ou no sofá. Pra fazer rituais idiotas e brindar com um champagne que a gente nem gosta de tomar. Vim te convidar pra tentar, de novo, e se errar, mais uma vez. Até que se esgotem as viradas. Eu vim aqui, pra te dizer que quebrando as correntes por aí, nesse ano novo eu não quero nada de novo, eu só quero você.
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Crônicas e Contos
28 setembro 2014
Acordei te amando mais
Acordei te amando mais. Não, não teve nada de especial na
noite passada e o tempo lá fora não parece ser um dos melhores. Mas é que hoje
eu acordei te amando mais. Num estado interno de plenitude que faz as circunstâncias
externas parecerem insignificantes. Sei que você não gosta de variações de
amor, afinal, se eu digo que cresce, outro diz que diminui. Então amor, faça o favor de traduzir pra mim
o que tá se passando aqui dentro. Traduz essa coisa abstrata e tão intensa que
eu nem sei mais se é amor ou outra coisa assim. Hoje eu acordei experimentando o
incondicional, hoje, quem sabe, eu iria a pé do Rio à Salvador.
Você não veio do jeito que eu esperava, muito menos como
queria e graças a Deus por isso. Imagina só, que catástrofe seria sem nossas
sutilezas do acaso, surpresas da fala e olhares que se calam. Seríamos mais um
dentre tantos amores, tantas histórias... Seríamos apenas mais uma história. E
é por isso que eu não consigo escrever sobre você, porque histórias de amor
de verdade não podem ser escritas. Ousar escrevê-las seria de tamanha audácia,
os detalhes se perderiam em meios as vírgulas e nem o mais romântico poeta
conseguiria resgatá-los. E que desastre seria! Se foram nos detalhes que você
me ganhou, nos “eu te amo” embutidos em gestos, no prazer do silêncio, nos SMSs banais enviados no dia a dia só pra compartilhar o bolo de chocolate que acabou
de comer, a música nova da rádio, o motorista que passou do ponto ou a senhora com um bebê no banco ao lado.
Talvez eu nunca te conte que numa segunda-feira às 7:00h eu acordei te
amando mais. É egoísmo, eu sei. Mas por mais que meu sorriso denuncie e como
constataram os irmãos até o pessoal da fila do pão já saiba, eu sei que esse
sentimento novo veio pra mim, e só. É que às vezes por mais que o amor transborde
ou que a emoção grite, abandonar o barco parece ser a opção mais simples. E é
preciso um empurrão, uma enxurrada de vigor que faça você acreditar novamente
no amor pelo amor e que as coisas que devem acontecer têm tempo determinado e ,
Deus sabe, não cabem a você.
Hoje eu acordei te amando mais, e acordei me amando mais
também. Porque te imaginar faz com que eu me veja pelos seus olhos, e eu enxergo o
que de melhor em mim você faz despertar. Hoje, apesar dos defeitos, apesar dos
medos, apesar da insegurança, apesar do mundo e apesar de mim, eu acordei te amando mais e nem o mal humor do motorista, suas teorias ou os poetas pessimistas seriam capazes de mudar isso.
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Crônicas e Contos
06 agosto 2014
Foi o excesso de você
Rapaz, não fica aí olhando para as fotos de vocês e se perguntando o porquê ela se foi. Nós dois, e qualquer pessoa que te conheça bem, sabemos o que aconteceu por aqui.
Talvez você não tenha notado, mas ela saiu pela porta da frente. Isso. Ela não fez questão de sair de fininho pela porta dos fundos, nem de tirar os sapatos. Ela saiu e pronto, sem disse-me-disse, sem meia-volta. Se agarrou a um surto de coragem e foi.
Pare de pensar que ela foi rude ou ingrata, você é a última pessoa do mundo que pode catalogar alguém assim. Ela te deixou sinais, por toda parte. Numa dissonância com a qual ela já estava familiarizada, escreveu seu adeus como quem quer ficar; aos poucos. Talvez na esperança de você a fazer mudar de ideia. Ponto pra você! Ela perdeu nessa jogada, você não fez, você nem ao menos notou. É que envolvido demais no seu mundo, absolvido por toda essa fantasia e imensidão tão sua, não conseguiu enxergar nada além de si mesmo.
Ela até que tentou, você tem que admitir. Ela tinha tudo para não te amar, mas amava simplesmente porque era amor. E amor é substantivo abstrato que quando se encontra, se conjuga até virar verbo. Eu sei, eu sei. Te dizer isso não te ajuda em nada, mas é que pelas minhas contas, você pode ter perdido a sua única chance de ser feliz. É que todas as outras desistiram ao menor sinal do seu ego inflamado, mas ela não, ela até tentou suportar. É.. bem lembrado, teve aquela ruiva da loja de Cds que mais parecia um papagaio, repetia tudo. Durou bastante se for contar seus relacionamentos descartáveis. Talvez tenha durado porque ela te deixou controlar tudo e ,acomodado, você se viu no seu habitat natural. Veja só, ela passou a torcer pelo Corinthians, e eu nem sei se o pai dela palmeirense descobriu isso antes dela mudar para o time do novo "affair". Ela ria de tudo, e já dizia Frejat que rir é bom, mas rir de tudo é desespero. Coitada, devia estar mesmo desesperada para achar que estava vivendo uma linda história de amor com você, era só mais uma que já tinha frequentado o sofá-cama da sala.
Mas ELA, ah... Ela não era parecida com as outras, não é mesmo? Muito menos com a ruiva. Ela nem gostava daquele sofá. Sabe qual eu acho que foi o maior sinal? O silêncio. Ela sempre foi de discordar de você, de entrar pela porta cantando e falar com qualquer besteira pra te arrancar um sorriso. Mas de uns tempos pra cá ela se calou. Ouvia você falar dos seus sonhos, do seu dia, com uma empolgação tão contagiante que ela quase se lembrava do porquê ela tinha se apaixonado por você. Mas limitava-se a esboçar um sorriso meio de canto. Ela te admirava, mas parece que no final de tudo, você só se tornou um saco de expectativas frustradas. Foi o excesso de você que acabou com o que vocês chamavam de "nós", você não abria espaço para serem juntos porque estava ocupado demais sendo só. E ela percebeu que se não fosse embora agora, não iria nunca mais. E foi. Pra onde? Não sei. Talvez esteja a procura de novos ares, novos amores, quem sabe até mudou de cidade e cursou aquele curso de gastronomia que ela tanto sonhava mas você nunca soube. Nunca soube porque foi o excesso de você que acabou com o que vocês chamavam de nós.
Ainda embalado por Frejat o que tenho a te dizer, meu rapaz, é boa sorte, e muito amor pra recomeçar! Porque ela? Ah.. ela tem amor de sobra e há de encontrar alguém para ser dois, para ser junto, para ser par. Sem excessos ou minorias de nenhum dos lados. Ponto pra ela!
Talvez você não tenha notado, mas ela saiu pela porta da frente. Isso. Ela não fez questão de sair de fininho pela porta dos fundos, nem de tirar os sapatos. Ela saiu e pronto, sem disse-me-disse, sem meia-volta. Se agarrou a um surto de coragem e foi.
Pare de pensar que ela foi rude ou ingrata, você é a última pessoa do mundo que pode catalogar alguém assim. Ela te deixou sinais, por toda parte. Numa dissonância com a qual ela já estava familiarizada, escreveu seu adeus como quem quer ficar; aos poucos. Talvez na esperança de você a fazer mudar de ideia. Ponto pra você! Ela perdeu nessa jogada, você não fez, você nem ao menos notou. É que envolvido demais no seu mundo, absolvido por toda essa fantasia e imensidão tão sua, não conseguiu enxergar nada além de si mesmo.
Ela até que tentou, você tem que admitir. Ela tinha tudo para não te amar, mas amava simplesmente porque era amor. E amor é substantivo abstrato que quando se encontra, se conjuga até virar verbo. Eu sei, eu sei. Te dizer isso não te ajuda em nada, mas é que pelas minhas contas, você pode ter perdido a sua única chance de ser feliz. É que todas as outras desistiram ao menor sinal do seu ego inflamado, mas ela não, ela até tentou suportar. É.. bem lembrado, teve aquela ruiva da loja de Cds que mais parecia um papagaio, repetia tudo. Durou bastante se for contar seus relacionamentos descartáveis. Talvez tenha durado porque ela te deixou controlar tudo e ,acomodado, você se viu no seu habitat natural. Veja só, ela passou a torcer pelo Corinthians, e eu nem sei se o pai dela palmeirense descobriu isso antes dela mudar para o time do novo "affair". Ela ria de tudo, e já dizia Frejat que rir é bom, mas rir de tudo é desespero. Coitada, devia estar mesmo desesperada para achar que estava vivendo uma linda história de amor com você, era só mais uma que já tinha frequentado o sofá-cama da sala.
Mas ELA, ah... Ela não era parecida com as outras, não é mesmo? Muito menos com a ruiva. Ela nem gostava daquele sofá. Sabe qual eu acho que foi o maior sinal? O silêncio. Ela sempre foi de discordar de você, de entrar pela porta cantando e falar com qualquer besteira pra te arrancar um sorriso. Mas de uns tempos pra cá ela se calou. Ouvia você falar dos seus sonhos, do seu dia, com uma empolgação tão contagiante que ela quase se lembrava do porquê ela tinha se apaixonado por você. Mas limitava-se a esboçar um sorriso meio de canto. Ela te admirava, mas parece que no final de tudo, você só se tornou um saco de expectativas frustradas. Foi o excesso de você que acabou com o que vocês chamavam de "nós", você não abria espaço para serem juntos porque estava ocupado demais sendo só. E ela percebeu que se não fosse embora agora, não iria nunca mais. E foi. Pra onde? Não sei. Talvez esteja a procura de novos ares, novos amores, quem sabe até mudou de cidade e cursou aquele curso de gastronomia que ela tanto sonhava mas você nunca soube. Nunca soube porque foi o excesso de você que acabou com o que vocês chamavam de nós.
Ainda embalado por Frejat o que tenho a te dizer, meu rapaz, é boa sorte, e muito amor pra recomeçar! Porque ela? Ah.. ela tem amor de sobra e há de encontrar alguém para ser dois, para ser junto, para ser par. Sem excessos ou minorias de nenhum dos lados. Ponto pra ela!
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Crônicas e Contos
27 junho 2014
BLOGAGEM COLETIVA: Nosso paraíso particular..
Um lugar bonito , não necessariamente de fácil acesso nem tampouco tão real , onde todos os nossos desejos mais profundos repousam, lugar distante , quase sempre, refúgio onde decepções, desilusões e precauções, sim, precauções não são notadas.
O que faria desse lugar, o lugar ideal? O lugar perfeito para nós? O fato de estar distante? Talvez, prezamos e supervalorizamos aquilo que não podemos ter, ou aquilo que de certa forma não está a nosso alcance, frente a aquilo que é tangível , real, e que de fato pode acontecer, mas de que serve se não nos satisfaz ? Nem no mínimo nos seduz? Todos nós criamos um paraíso particular, todos nós temos um tempo , presente ou futuro, e até mesmo um passado idealizado onde podemos, fomos ou somos felizes, mas que em qualquer outra época, onde havia ou haverá mais alegria e esperança em tudo, onde há cor, há vida e emoção, onde qualquer problema passa a ser irrisório comparado a beleza de acordar e repousar naquele lugar, naquele tempo, circunstâncias e companhia.
Nosso paraíso muitas vezes não é lugar, pode ser uma outra pessoa, um ídolo, um período, uma chance que perdemos, mas existem formas diferentes de idealizar esse paraíso. Coisas para muitos, quando distantes, têm muito mais brilho que quando se pode experimentá-las, estimamos tanto algumas coisas que quando experimentamos não passam nem perto daquilo que eram enquanto apenas desejo.
Por que criamos esses castelos de areia, eu não sei , mas saber da fragilidade deles é o que talvez os torna tão especiais, alimentar desejos quase impossíveis, realidades distantes, não é tarefa de covardes ou de pessoas que não tem coragem de encarar a realidade, talvez seja até, pra alguns mas não todos. Acreditar que há algo melhor , que haverá um tempo ou lugar melhor que o que estamos, não seria inebriar-se viver de ilusão pro resto da vida ? Sim, talvez seria, mas onde está o dano de inebriar-se dando vida a mais perfeita alegria? Alimentar o desejo e fé em um plano perfeito, uma nova perspectiva? Há caminhos que precisamos trilhar, mas o desespero por estar longe do ideal , às vezes nos joga num abismo onde qualquer coisa serve , já que o perfeito , não existe, tudo bem , não existe, mas existe sim, o melhor pra nós !
No fim , o sentimento sempre será mais importante, e no início e durante o percurso a razão vai se apresentar como aliada ou inimiga. Será nossa amiga quando compreendermos que ela está lá para na nossa longa jornada nos desvencilharmos das ilusões, ou sentimentos impuros, e será nossa inimiga , somente se formos inimigos dela, daí ela se apresentará fatal , quando tentarmos vencê-la com sentimentos irreais ou não tão profundos a ponto de se tornarem algo concreto, ela se mostrará sem compaixão , dando ponto final ou nos prendendo numa solitária ilha de depreciação.
Para todos os sonhadores, aqueles que criaram sua Terra do Nunca , do sempre , do talvez, ou até do felizes para sempre , há em mim uma profunda admiração, não penso em desestimulá-los, mas sim em procurar abrir seus olhos, sim , abri-los, sonhar é bom , ainda mais quando temos a plena capacidade de tornar os sonhos reais. Utopias servem para nos acomodar num profundo mar de conformismo, alegrias que como migalhas de um banquete real sendo servido acima, nunca nos satisfarão, elas também são causadoras muitas vezes de uma depressão forçada, pra muitos que desistiram de sonhar acordados, percebam que sonhar não é fechar os olhos, mas abrir a alma, permitir que o mais vago ou a mais rara possibilidade de ser feliz , seja real.
Todos nós temos direito a nosso paraíso particular e como consequência , o dever de buscá-lo.
O que faria desse lugar, o lugar ideal? O lugar perfeito para nós? O fato de estar distante? Talvez, prezamos e supervalorizamos aquilo que não podemos ter, ou aquilo que de certa forma não está a nosso alcance, frente a aquilo que é tangível , real, e que de fato pode acontecer, mas de que serve se não nos satisfaz ? Nem no mínimo nos seduz? Todos nós criamos um paraíso particular, todos nós temos um tempo , presente ou futuro, e até mesmo um passado idealizado onde podemos, fomos ou somos felizes, mas que em qualquer outra época, onde havia ou haverá mais alegria e esperança em tudo, onde há cor, há vida e emoção, onde qualquer problema passa a ser irrisório comparado a beleza de acordar e repousar naquele lugar, naquele tempo, circunstâncias e companhia.
Nosso paraíso muitas vezes não é lugar, pode ser uma outra pessoa, um ídolo, um período, uma chance que perdemos, mas existem formas diferentes de idealizar esse paraíso. Coisas para muitos, quando distantes, têm muito mais brilho que quando se pode experimentá-las, estimamos tanto algumas coisas que quando experimentamos não passam nem perto daquilo que eram enquanto apenas desejo.
Por que criamos esses castelos de areia, eu não sei , mas saber da fragilidade deles é o que talvez os torna tão especiais, alimentar desejos quase impossíveis, realidades distantes, não é tarefa de covardes ou de pessoas que não tem coragem de encarar a realidade, talvez seja até, pra alguns mas não todos. Acreditar que há algo melhor , que haverá um tempo ou lugar melhor que o que estamos, não seria inebriar-se viver de ilusão pro resto da vida ? Sim, talvez seria, mas onde está o dano de inebriar-se dando vida a mais perfeita alegria? Alimentar o desejo e fé em um plano perfeito, uma nova perspectiva? Há caminhos que precisamos trilhar, mas o desespero por estar longe do ideal , às vezes nos joga num abismo onde qualquer coisa serve , já que o perfeito , não existe, tudo bem , não existe, mas existe sim, o melhor pra nós !
No fim , o sentimento sempre será mais importante, e no início e durante o percurso a razão vai se apresentar como aliada ou inimiga. Será nossa amiga quando compreendermos que ela está lá para na nossa longa jornada nos desvencilharmos das ilusões, ou sentimentos impuros, e será nossa inimiga , somente se formos inimigos dela, daí ela se apresentará fatal , quando tentarmos vencê-la com sentimentos irreais ou não tão profundos a ponto de se tornarem algo concreto, ela se mostrará sem compaixão , dando ponto final ou nos prendendo numa solitária ilha de depreciação.
Para todos os sonhadores, aqueles que criaram sua Terra do Nunca , do sempre , do talvez, ou até do felizes para sempre , há em mim uma profunda admiração, não penso em desestimulá-los, mas sim em procurar abrir seus olhos, sim , abri-los, sonhar é bom , ainda mais quando temos a plena capacidade de tornar os sonhos reais. Utopias servem para nos acomodar num profundo mar de conformismo, alegrias que como migalhas de um banquete real sendo servido acima, nunca nos satisfarão, elas também são causadoras muitas vezes de uma depressão forçada, pra muitos que desistiram de sonhar acordados, percebam que sonhar não é fechar os olhos, mas abrir a alma, permitir que o mais vago ou a mais rara possibilidade de ser feliz , seja real.
Todos nós temos direito a nosso paraíso particular e como consequência , o dever de buscá-lo.
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Blogagem Coletiva,
Comportamento
18 junho 2014
BLOGAGEM COLETIVA: Eu, o frio, chorei
Eu chorei. De todas as pessoas, eu, o frio, chorei.
Chorei pela perda. Chorei por saber o quanto ela significa pra mim. Chorei a noite inteira por não conseguir segurar a tristeza em perdê-la. Chorei toda a madrugada, como uma criança, como nunca imaginei que choraria. Meu peito estava pesado, inundado e mesmo com o transbordar de toda essa tristeza em forma de lágrimas, não me senti melhor, mais leve, continuei preenchido por tudo aquilo e na verdade, ironicamente, eu estava mais vazio do que nunca. Sabe aquilo que sempre dizem que é melhor chorar, é melhor desabar e sentir a dor? Não, comigo não funcionou. Cada lágrima que deveria ser sinônimo de alívio, parecia me rasgar por dentro como os efeitos colaterais de um remédio mal dosado. Foi isso, tudo foi mal dosado. A minha dose dela foi demais e agora eu sofria os efeitos da abstinência.
Chorei pela perda. Chorei por saber o quanto ela significa pra mim. Chorei a noite inteira por não conseguir segurar a tristeza em perdê-la. Chorei toda a madrugada, como uma criança, como nunca imaginei que choraria. Meu peito estava pesado, inundado e mesmo com o transbordar de toda essa tristeza em forma de lágrimas, não me senti melhor, mais leve, continuei preenchido por tudo aquilo e na verdade, ironicamente, eu estava mais vazio do que nunca. Sabe aquilo que sempre dizem que é melhor chorar, é melhor desabar e sentir a dor? Não, comigo não funcionou. Cada lágrima que deveria ser sinônimo de alívio, parecia me rasgar por dentro como os efeitos colaterais de um remédio mal dosado. Foi isso, tudo foi mal dosado. A minha dose dela foi demais e agora eu sofria os efeitos da abstinência.
Ela se foi, mas deixou o cheiro, deixou as lembranças, deixou uma calcinha pendurada no banheiro. Ela se foi mas é como se eu a visse em cada detalhe daquele quarto. Ela se foi e eu não fiz nada. Eu a vi indo e a deixei ir, nós escorregamos um do outro e por medo ou por orgulho, eu não fiz nada. Eu não gritei o que sempre senti, e, mudo, a deixei partir. Naquela noite, eu chorei a dor. Eu senti a dor. Dor difusa confundia com o frio que só fazia aumentar, eu a senti latente, gritante e só esperava aquilo passar, parar, tudo voltar.
Mas com a chegada da manhã, não haviam mais lágrimas e mesmo que restasse eu faria questão de escondê-las e encararia o mundo com a máscara. Fingindo, omitindo, enganando até a mim mesmo talvez, mas eu no fundo sempre me lembraria que chorei e do quanto.
Mas com a chegada da manhã, não haviam mais lágrimas e mesmo que restasse eu faria questão de escondê-las e encararia o mundo com a máscara. Fingindo, omitindo, enganando até a mim mesmo talvez, mas eu no fundo sempre me lembraria que chorei e do quanto.
Eu, o frio, chorei
_"Lobo"
23 maio 2014
Mesa de bar
“Você”. Foi o que pensei quando naquela mesa de bar me
lançaram a palavra felicidade. “Infância”. Foi o que respondi por ser clichê. O
jogo seguiu, com algumas risadas, revelações, casos mal contados, mais um copo, amores desvendados e uma porção de petiscos.
Enquanto o lugar se movimentava, minha atenção se dividia em
cenas. Eu via os rostos sorrindo, a briga do casal da mesa ao lado quando o
cara olhou diferente para uma mulher qualquer que passou na sua frente. Uma
turma de universitários entusiasmados, a corrida dos garçons para dar conta de
todos os pedidos. Pergunto-me se os amigos que comigo estavam realmente
acreditavam nas minhas risadas e acenos de cabeça enquanto eles continuavam com
o jogo e conversavam sobre um assunto que eu não fazia ideia do que se tratava.
Creio que na hora eles não poderiam imaginar que, com uma palavra aleatória abriram uma gaveta que tinha um mundo dentro. E eu, sem resistir, me transportei
pra lá.
Um cara com a barba falhada e um tênis surrado subiu ao mini
palco montado a nossa frente, deveria ser o cantor da noite e provavelmente estava
ganhando uma miséria para estar ali. Tinha os olhos caídos, daqueles que dá a
impressão que a pessoa está sempre triste, mas ele tinha um sorriso bonito,
tinha no rosto uma incongruência harmoniosa, se é que isso existe. Pegou um
violão, disse seu nome, algumas poucas palavras e começou a tocar. Na primeira
nota eu já não pude acreditar, eu devia mesmo ter cumprido a promessa de nunca mais
dar uma trilha sonora aos meus amores. Parecia que tudo que as pessoas naquela
noite faziam, mesmo que de forma não intencional, me faziam lembrar você. Eu fui sentindo cada nota, ouvindo a melodia,
me entregando à música e por um instante tentando materializar as inúmeras
vezes que ao violão você tocou pra mim aqueles acordes, quando dançávamos no meio da sala e até mesmo quando eu pulava toda minha playlist pra ouvir aquela
música e lembrar de você.
Naquela noite eu te vi sem você estar lá, eu te ouvi sem
você falar. E já faz tanto tempo... Naquela noite, eu nos vi. Eu nos vi nos
sorrisos, na briga do casal da mesa ao lado, na turma de universitários
entusiasmados, no nosso “o de sempre” para o garçom. Hoje eu nem sei por onde
você anda, mas naquela noite, você estava naquela mesa de bar.
O cantor deu um intervalo e eu virei o copo de uma só vez,
na tentativa de engolir junto com a bebida aquela sensação que me invadia. Voltei
a jogar com um gosto de reencontro que eu só consegui resumir na palavra que
lancei quando chegou minha vez: “Saudade”.
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Crônicas e Contos
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